Namorei uma donzela
Namorei uma donzela
Chamada Amélia da Conceição
Agora por causa dela
Vou ver as grades de uma prisão
Namorei-a e enganeia
Mas o pai dela não sabia
Eu ia dormir com ela
Porque a mão dela consentia
Canção da malha do milho
Nós que somos os malhadores,
Malhamos espigas a eito Rapazes a cantar
Já que andamos á três dias
e não vemos nada feito
Nós que somos as erguideiras
Esperamos vosso trabalho Raparigas a cantar
Nós estamos esperando
Que vocês batam o malho
Ó Nagozela, terra de encanto
Terra adorada que eu amo tanto
As desfolhadas deixam fadigas
Trocam-se abraços com as raparigas
Vamos todos ao rio Mondego ( canção que se cantava na lavoura)
Ai vamos todos ao rio Mondego,
Rio Mondego vamos passear
Mas eu não quero
Que a madrugada
Seja alvorada para não faltar
Adeus, ó areais de Coimbra
Adeus, pedras do rio dão
Adeus olhos que foram meus
Ó ai agora de quem serão.
Ó andorinha ligeira ( canção que se cantava na lavoura)
Ó andorinha ligeira,
no bico leva a flor
Eu passava a noite inteira
a falar ao meu amor
A falar ao meu amor,
a falar á minha amada
Ó andorinha ligeira,
no bico leva a geada
A louça na cantareira ( nos largos da aldeia, numa roda)
A louça na cantareira está sempre ao delindimdim,
assim é o meu amor
quando está ao pé de mim.
Quando está ao pé de mim
Quando para mim está a falar,
A louça na cantareira está sempre ao delindimdar
A ribeira(cantada na lavoura)
Já não volto á ribeira,
ó ribeira ó ribeirinha
Já não volto á ribeira,
essa pena é a minha
Essa pena é a minha,
essa mesma é que eu tenho
Já não volto á ribeira,
ainda agora de lá venho
Inda agora de lá venho
Já lá faz muito calor
Empresta-me o teu chapéu
antoninho meu amor
Antoninho lindo eras
Quando eras pequenino
Agora estás desmaiado
Como a flor do rosmaninho
A Moreira melindrosa ( a sachar o milho)
A Moreira melindrosa
Atira-me cá com um ramo
O meu amor é teimoso
Duram-lhe as teimas um ano
Duram-lhe as teimas um ano
Quem há-de fazer as pazes
Faço as eu a mais ele
Com ramo de saudades
Quadras dirigidas aos namorados
Quem me dera agora ver
Quem me agora aqui lembrou
Ó amor da minha alma
Que tão longe de ti estou
A tua boca é tão linda
Os teus olhos lindos são
Estás bem longe meu amor
Mas perto do coração
Os amores ao longe esquecem
Nessa fita não vou eu
O meu amor está lá longe
Mas ele ainda não me esqueceu
Pensavas que eu te queria,
Olha o engano do mundo
O meu coração navega
Noutro pocinho mais fundo
Julgavas que eu por me rir
Que já me tinhas não mão
O meu rir é traiçoeiro
Engana o teu coração
Trocas-te aí por outra
e eu bem sei que me trocaste
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Quanto na troca ganhas-te
O meu amor ontem á noite
Pela porta me passou
Por causa das faladeiras
Nem o chapéu me tirou.
Ó meu amor vai e vêm,
Á vinda vêm por aqui
Que eu abaixarem meus olhos
E farei que os teus não vi
Num troco velho mirrado
Escrevi o nome teu
Ao escrever tão lindo nome
O troco reverdeceu
Ó minha caninha verde
Partida em nó em nó
Minhas falas são para todos
Á amizade para ti só
Tenho um lenço de beijinhos
Meu amor para ti dar
Com quatro nós de ciúmes
Sem os poder desatar
Com o A se escreve a Amor
Com R Recordação
Com __ que eu trago no coração
Ó amor procura agrado,
Não procures formosura
Uma mulher sem agrado
É pior que a noite escura
Á amoreiras que dão amoras
Á outras que as não dão
Á amores que são leais
Á outros que o não são
A minha intercedora
Gosta daquilo que é meu
Fala com ele na rua
Quem dorme com ele sou eu
Quando se zangavam os namorados
O meu amor é um torto
Das pernas um aleijado
Um nariz é um moncozo
Dos olhos arremelados
Ó meu amor vai a merda
não digas ninguém
só quero que tu saibas
o gosto que a merda têm
