Canções do dia-a-dia

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Canções do dia-a-dia

Mensagempor webmaster em Sábado Dez 06, 2008 11:42 pm

Namorei uma donzela

Namorei uma donzela
Chamada Amélia da Conceição
Agora por causa dela
Vou ver as grades de uma prisão

Namorei-a e enganeia
Mas o pai dela não sabia
Eu ia dormir com ela
Porque a mão dela consentia

Canção da malha do milho

Nós que somos os malhadores,
Malhamos espigas a eito Rapazes a cantar
Já que andamos á três dias
e não vemos nada feito

Nós que somos as erguideiras
Esperamos vosso trabalho Raparigas a cantar
Nós estamos esperando
Que vocês batam o malho

Ó Nagozela, terra de encanto
Terra adorada que eu amo tanto
As desfolhadas deixam fadigas
Trocam-se abraços com as raparigas


Vamos todos ao rio Mondego ( canção que se cantava na lavoura)

Ai vamos todos ao rio Mondego,
Rio Mondego vamos passear
Mas eu não quero
Que a madrugada
Seja alvorada para não faltar

Adeus, ó areais de Coimbra
Adeus, pedras do rio dão
Adeus olhos que foram meus
Ó ai agora de quem serão.


Ó andorinha ligeira ( canção que se cantava na lavoura)

Ó andorinha ligeira,
no bico leva a flor
Eu passava a noite inteira
a falar ao meu amor

A falar ao meu amor,
a falar á minha amada
Ó andorinha ligeira,
no bico leva a geada

A louça na cantareira ( nos largos da aldeia, numa roda)

A louça na cantareira está sempre ao delindimdim,
assim é o meu amor
quando está ao pé de mim.

Quando está ao pé de mim
Quando para mim está a falar,
A louça na cantareira está sempre ao delindimdar

A ribeira(cantada na lavoura)

Já não volto á ribeira,
ó ribeira ó ribeirinha
Já não volto á ribeira,
essa pena é a minha

Essa pena é a minha,
essa mesma é que eu tenho
Já não volto á ribeira,
ainda agora de lá venho
Inda agora de lá venho
Já lá faz muito calor
Empresta-me o teu chapéu
antoninho meu amor

Antoninho lindo eras
Quando eras pequenino
Agora estás desmaiado
Como a flor do rosmaninho

A Moreira melindrosa ( a sachar o milho)

A Moreira melindrosa
Atira-me cá com um ramo
O meu amor é teimoso
Duram-lhe as teimas um ano

Duram-lhe as teimas um ano
Quem há-de fazer as pazes
Faço as eu a mais ele
Com ramo de saudades

Quadras dirigidas aos namorados

Quem me dera agora ver
Quem me agora aqui lembrou
Ó amor da minha alma
Que tão longe de ti estou
A tua boca é tão linda
Os teus olhos lindos são

Estás bem longe meu amor
Mas perto do coração
Os amores ao longe esquecem
Nessa fita não vou eu
O meu amor está lá longe
Mas ele ainda não me esqueceu

Pensavas que eu te queria,
Olha o engano do mundo
O meu coração navega
Noutro pocinho mais fundo

Julgavas que eu por me rir
Que já me tinhas não mão
O meu rir é traiçoeiro
Engana o teu coração

Trocas-te aí por outra
e eu bem sei que me trocaste
______________________
Quanto na troca ganhas-te

O meu amor ontem á noite
Pela porta me passou
Por causa das faladeiras
Nem o chapéu me tirou.

Ó meu amor vai e vêm,
Á vinda vêm por aqui
Que eu abaixarem meus olhos
E farei que os teus não vi

Num troco velho mirrado
Escrevi o nome teu
Ao escrever tão lindo nome
O troco reverdeceu

Ó minha caninha verde
Partida em nó em nó
Minhas falas são para todos
Á amizade para ti só
Tenho um lenço de beijinhos
Meu amor para ti dar
Com quatro nós de ciúmes
Sem os poder desatar

Com o A se escreve a Amor
Com R Recordação
Com __ que eu trago no coração

Ó amor procura agrado,
Não procures formosura
Uma mulher sem agrado
É pior que a noite escura

Á amoreiras que dão amoras
Á outras que as não dão
Á amores que são leais
Á outros que o não são

A minha intercedora
Gosta daquilo que é meu
Fala com ele na rua
Quem dorme com ele sou eu


Quando se zangavam os namorados

O meu amor é um torto
Das pernas um aleijado
Um nariz é um moncozo
Dos olhos arremelados

Ó meu amor vai a merda
não digas ninguém
só quero que tu saibas
o gosto que a merda têm
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Re: Canções do dia-a-dia

Mensagempor noi em Domingo Dez 28, 2008 11:33 pm

Ó luar da lameirosa

Ó luar da lameirosa
Tu és um belo luar
O luar da meirosa
Tu és um belo luar

E amanha por estas horas
Heide eu estar a namorar
E heide eu estar a namorar
Está o cravo ao pé da rosa

Tu és um belo luar
Ó luar da lameirosa


Meninas amai o cocho

Meninas amai o cocho
E o chocho também se ama
É um regalo na vida
Ir aos saltinhos para a cama

Ir aos saltinhos para a cama
Ó que chitas ou que lindas chitas
Com seu raminho no meio
Quando vejo, quando vejo
Certas moças todo meu ciricuteio

Meninas amai o cocho
E o chocho também se ama
É um regalo na vida
Ir aos saltinhos para a cama

O Pião Ligeirinho

Anda o Pião ligeirinho
Sempre na roda a girar
Também eu ando tontinha
Você só para me amar

Para que te zangas comigo
Se eu atrás de ti heide andar
Já nasci com este destino
E até morrer te heide amar


Agora vamos ao meio

Agora vamos ao meio
Raparigas da nossa aldeia
Mostremos a nossa renda
E a nossa mínima meia

Mostremos o nosso calção
E o nosso pendelicado
E o nosso corpinho bem feito
E o amor é desejado

E o meu amor e o teu
Andam naquela ribeira
O meu anda á erva doce
E o teu á erva cidreira

Agora vamos ao meio
Raparigas da nossa aldeia
Mostremos a nossa renda
E a nossa mínima meia

O maçãzinha do alto

O maçãzinha do alto
Da mais alta macieira
Se te deixas enganar
Já não achas quem te queira

Já não achas quem te queira
O meu amor anda anda.
Vamos nós para o mar largo
Formamos uma varanda

Formamos uma varanda
Formamos um varandim
Ó meu amor de tão longe
Quem te dera ao pé de mim

Toma lá colchetes de ouro
E aparta-me o coletinho
Coração que é de nós ambos
Quer-se sempre apertadinho

O maçãzinha do alto
Da mais alta macieira
Se te deixas enganar
Já não achas quem te queira


Vai uma linha de ferro

Vai uma linha de ferro
Que atravessa o Carregal
Que dizem os maquenistas
Estrada nova não vai mal

Estrada nova não vai mal
Estrada nova não vai bem
Vai uma linha de ferro
Que atravessa Santarém

Trocaste me amim por outra
E eu sei bem que me trocas-te
Eu só queria saber na troca
Quanto ganhas-te

Vai uma linha de ferro
Que atravessa o Carregal
Que dizem os maquenistas
Estrada nova não vai mal

O meu amor é padeiro

O meu amor é padeiro
ó ai
traz a cara enfarinhada
ó ai
traz a cara enfarinhada

Os beijos sabem-me o pão
O ái
Não posso comer mais nada
Ó ai
Não posso comer mais nada

Ó laré vai te embora
Ó laré diz me adeus
Ó laré vai te embora
Teus olhos são meus

Teus olhos são meus
Não os dês a ninguém
Ó la-ré
Vai-te embora
Adeus, ó meu bem

Ò António, Ò António, Ò antonio

Ò António, Ò António, Ò antonio
Ó vadio
Caís-te da ponte a baixo
Foste beber água ao rio

Foste beber água ao rio
Ás pedrinhas de lavar´
Ò António, Ò António,
Onde-te eu fui namorar

Cravo rocho á janela
É sinal de casamento
Tira o cravo e põe a rosa
Que o casar ainda têm tempo.
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